O que impulsiona as inovações verdes na energia, nos transportes e na indústria?

Inovações verdes que ajudam a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, minimizam a poluição e preservam os recursos naturais e a biodiversidade são importantes para a construção de futuros ambientalmente sustentáveis. Mas qual é o estado da inovação verde e como ela difere de outros tipos de inovação? Este blog analisa o estado da inovação em quatro setores principais: hidrogênio verde, aço verde, baterias e veículos elétricos – e explora as condições do ecossistema que influenciam seu desenvolvimento e adoção.

O avanço das inovações verdes no combate às mudanças climáticas

À medida que os países se esforçam para reduzir as emissões de carbono e fazer a transição para economias mais limpas, a inovação tornou-se um dos principais pilares das políticas climáticas. Do hidrogênio verde e do aço sustentável às baterias e veículos elétricos (VE), as tecnologias que ajudam a descarbonizar os sistemas energéticos, de transporte e industriais já estão em desenvolvimento e implementação, mas com velocidades muito diferentes.

Em algumas áreas, os avanços têm proporcionado soluções mais sustentáveis com rapidez. Em outras, as inovações ainda estão em estágios iniciais. O que explica esse progresso desigual? Quais países lideram a corrida verde? E o que ainda precisa ser feito para acelerar essa transição, reduzir emissões de gases de efeito estufa, minimizar a poluição e preservar recursos naturais e a biodiversidade?

O estado das inovações verdes em quatro setores

As inovações verdes não avançam no mesmo ritmo em todos os setores. Enquanto os veículos elétricos e as baterias já entraram em uma fase de crescimento acelerado, o hidrogênio verde e o aço verde ainda estão em estágios iniciais.

Em 2023, quase um em cada cinco carros vendidos globalmente era elétrico — reflexo de anos de investimento público, concorrência privada e demanda crescente. Em contraste, o hidrogênio de baixa emissão representou apenas 1% da produção global de hidrogênio, enquanto o aço verde não passou de 0,05% da produção total de aço no mundo.

São diversos os esforços de inovação necessários para cumprir as metas de desenvolvimento sustentável. Isso inclui melhorar a segurança e desempenho das baterias, aumentar seu ciclo de vida útil, desenvolver química alternativa que reduza a dependência de minerais críticos escassos e promover tecnologias que viabilizem a reciclagem de baterias.

O aço verde demanda avanços nos processos de produção. Já o hidrogênio verde requer inovação na eficiência dos eletrolisadores, na integração com energias renováveis e em soluções seguras de armazenamento e transporte.

A importância da inovação não tecnológica

O progresso tecnológico é essencial, mas não é suficiente. Modelos de negócios inovadores e transformações nos padrões de consumo também são cruciais para acelerar a adoção de soluções sustentáveis.

No caso do hidrogênio verde, transportar o gás por longas distâncias é desafiador e exige alto consumo energético. Uma alternativa viável é descentralizar as etapas de produção mais intensivas em energia, aproximando-as dos locais de consumo — o que exige novos investimentos em infraestrutura e cadeias de abastecimento.

No setor de veículos elétricos, inovações em mobilidade urbana e rural também são vitais. Isso inclui o planejamento urbano integrado, expansão da micromobilidade elétrica e o crescimento de plataformas de carros compartilhados, para maximizar a utilização de VEs.

Para o aço e as baterias, logística reversa, reuso e reciclagem se tornam essenciais. A coleta e reaproveitamento de sucata metálica podem reduzir significativamente as emissões na produção de aço. Da mesma forma, estratégias para reutilizar e reciclar baterias ajudam a reduzir a demanda por minerais críticos e fortalecem a resiliência das cadeias produtivas.

Quem lidera as inovações verdes?

Algumas nações têm se destacado na liderança das inovações verdes. Japão, Estados Unidos, Coreia do Sul e União Europeia — especialmente a Alemanha — são grandes centros de desenvolvimento e registro de patentes verdes. A China se consolidou como fabricante em larga escala de tecnologias como eletrolisadores, baterias e veículos elétricos.

Dentro dos países, as patentes verdes tendem a seguir padrões regionais semelhantes aos das patentes convencionais. Na Alemanha e nos EUA, por exemplo, observa-se uma concentração nas regiões com maior densidade industrial e tecnológica.

Os ecossistemas de inovação ganham força com a interação entre empresas estabelecidas e startups disruptivas, que impulsionam a concorrência e o avanço tecnológico. Além disso, a colaboração entre fornecedores de baterias e eletrolisadores (a montante) e montadoras de automóveis (a jusante) tem sido fundamental no progresso da inovação verde, junto com o apoio de pesquisadores e instituições públicas.

Quais os principais obstáculos à inovação verde?

  • Investimento insuficiente: os danos ambientais não são devidamente precificados nos mercados, o que desestimula investimentos privados em tecnologias verdes. Incertezas tecnológicas, regulatórias e comerciais também limitam o avanço.
  • Infraestrutura e dependência de tecnologias antigas: muitas indústrias estão enraizadas em modelos tradicionais. A falta de profissionais qualificados e a escassez de conhecimento técnico em energias renováveis e tecnologias verdes dificultam a transição.
  • Custos de produção ainda elevados: produtos sustentáveis ainda custam mais do que suas versões convencionais, embora essa diferença esteja diminuindo nos setores de VEs e baterias. A expansão da infraestrutura de recarga é vital para a competitividade dos elétricos frente aos automóveis a combustão.
  • Desafios específicos por setor: a produção de aço verde exige grandes investimentos iniciais e longos ciclos industriais (até 50 anos), o que dificulta mudanças rápidas. No setor automotivo, a transformação de carros a combustão interna (ICE) para veículos elétricos (VEs) requer a requalificação da força de trabalho, a produção de novos insumos como baterias e o abandono gradual de componentes hoje predominantes, como caixas de câmbio e sistemas de transmissão.

O que precisa acontecer a seguir?

Superar os desafios da inovação verde exige uma abordagem integrada, que combine soluções tecnológicas e não tecnológicas, apoio político contínuo e cooperação internacional efetiva.

Metas ambientais claras e de longo prazo, acompanhadas de políticas públicas consistentes, são fundamentais para criar um ambiente propício ao investimento em tecnologias sustentáveis. A adesão a acordos multilaterais, normas e padrões internacionais também contribui para impulsionar os mercados verdes e estimular mudanças nos hábitos de consumo.

Além disso, são essenciais ações de educação ambiental, promoção de pesquisa e desenvolvimento (P&D), incentivos à infraestrutura verde e fomento à inovação aberta, que envolva empresas, universidades, centros de pesquisa e governos. Dessa forma, será possível acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, mais resiliente, eficiente e inclusiva.

Quer saber mais sobre meio ambiente, acesse outras matérias aqui…


Referências bibliográficas

  1. OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. “Green Innovation and Industrial Policy.” OECD Green Growth Papers, 2023.
  2. IEA – International Energy Agency. “Global EV Outlook 2023.” www.iea.org
  3. WIPO – World Intellectual Property Organization. “World Intellectual Property Report 2022: The Direction of Innovation.” www.wipo.int
  4. IRENA – International Renewable Energy Agency. “Innovation Outlook: Smart Charging for Electric Vehicles.” www.irena.org

Compartilhe nas mídias sociais:

últimos posts:

Pintura industrial no setor se fertilizantes.
Serviços Técnicos

Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas na Indústria de Fertilizantes

As indústrias de fertilizantes figuram entre os ambientes industriais mais agressivos para estruturas metálicas em aço carbono. A presença simultânea de sais higroscópicos, umidade elevada, variações de pH, deposição contínua de poeiras químicas e ciclos de molhagem e secagem cria condições extremamente desfavoráveis à durabilidade dos sistemas convencionais de pintura anticorrosiva. Este artigo analisa os principais mecanismos de corrosão presentes em plantas de fertilizantes, avalia as limitações dos sistemas epóxi anticorrosivos tradicionais e apresenta uma abordagem técnica baseada na setorização por agressividade, com a especificação de sistemas de revestimento adequados para áreas nitrogenadas, fosfatadas e potássicas. O objetivo é fornecer subsídios técnicos para decisões de manutenção que priorizem vida útil estendida, redução de paradas não programadas e menor custo global de ciclo de vida.

Leia mais »
Sustentabilidade na pintura industrial.
Meio Ambiente

Práticas Ecológicas na Pintura Industrial: Soluções Sustentáveis

A sustentabilidade deixou de ser apenas uma tendência e tornou-se um requisito essencial em diversos setores da indústria. Na pintura industrial, práticas ecológicas vêm transformando processos tradicionais, trazendo soluções que reduzem impactos ambientais e aumentam a eficiência. Este artigo apresenta alternativas como tintas de baixo VOC, tecnologias à base de água e estratégias de reciclagem, mostrando como empresas podem alinhar qualidade, durabilidade e responsabilidade ambiental em seus projetos.

Leia mais »