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ToggleA Evolução dos Equipamentos Airless no Brasil
O primeiro equipamento de pintura airless foi desenvolvido em 1958 pela Gray Company, atual Graco Inc. No Brasil, essa tecnologia começou a se popularizar por volta de 2010, inicialmente com equipamentos das marcas Graco e Titan. A partir de aproximadamente 2018, houve uma forte expansão de equipamentos de origem chinesa, ampliando o acesso ao sistema airless no mercado nacional.
A consolidação do airless no mercado brasileiro
No início das importações de equipamentos airless no Brasil, havia basicamente dois grandes players atuando no mercado: Graco e Titan, ambas empresas americanas com ampla linha de produtos e aplicações. No entanto, mesmo os modelos considerados mais acessíveis, como a Graco 390 e a Titan Impact Série 400, apresentavam preços proibitivos para a maioria dos pintores residenciais, o que dificultava a popularização desse tipo de equipamento no país.

Com a chegada dos equipamentos de origem chinesa, encabeçada principalmente pela gigante de ferramentas e acessórios Vonder, os pintores brasileiros passaram a compreender melhor as vantagens do sistema airless, especialmente sob a ótica da relação custo-benefício. Atualmente, diversas empresas importam esses equipamentos da China e os comercializam com marca própria.
Não se trata aqui de questionar, de forma genérica, a qualidade desses equipamentos. Sabe-se que a engenharia chinesa é capaz de replicar produtos com diferentes níveis de qualidade e desempenho. Entretanto, essa prática frequentemente gera outros desafios relevantes, como a dificuldade de acesso a peças de reposição, além de incertezas quanto à durabilidade e à confiabilidade operacional.
Em nossa empresa, utilizamos exclusivamente equipamentos da Graco, o que nos garante facilidade no fornecimento de peças, a qualidade da líder de mercado e, principalmente, a segurança operacional necessária para aplicações profissionais. Vale ressaltar que tanto a Graco quanto a Titan são reconhecidas mundialmente como fabricantes de equipamentos de alto desempenho, produtividade e durabilidade.
Também é importante destacar que existem, sim, equipamentos chineses de boa qualidade. Contudo, distinguir modelos confiáveis daqueles de baixo desempenho nem sempre é uma tarefa simples, ficando muitas vezes a critério do discurso comercial e do poder de convencimento do vendedor.
Como exemplo prático, relatamos uma situação ocorrida há mais de 10 anos, quando um importador nos ofereceu um equipamento airless alegando possuir a mesma capacidade de aplicação do equipamento Graco que utilizávamos, porém por uma fração do preço. Foi acordado que o importador disponibilizaria a máquina para teste em um cliente. Retiramos nosso equipamento e o substituímos pelo modelo ofertado.
A máquina estava operando com duas pistolas e aproximadamente 60 metros de mangueira, trabalhando com relativa folga a cerca de 2500 psi. Para encurtar a análise, o equipamento não conseguiu atingir o mesmo volume nem a mesma qualidade de aplicação. Mesmo elevando a pressão para 3300 psi, o desempenho permaneceu abaixo do esperado.
Não afirmamos que essa limitação seja característica de 100% dos equipamentos chineses. No entanto, nossa experiência prática, em algumas tentativas de uso realizadas para fins de teste, não foi satisfatória.
Com esse contexto em mente, neste artigo iremos abordar os diferentes sistemas de funcionamento dos equipamentos airless, suas principais aplicações e as características técnicas que devem ser consideradas na escolha profissional.
Funcionamento dos Equipamentos Airless Elétricos de Eixo Excêntrico
Para avançarmos neste tema, é fundamental compreender o funcionamento dos equipamentos airless elétricos de eixo excêntrico. Esse tipo de equipamento é caracterizado por um motor elétrico cujo eixo é conectado a um pinhão, que atua sobre uma cremalheira volante.
Esse conjunto mecânico converte o movimento rotativo do motor em um movimento alternado por meio de um eixo excêntrico, responsável por acionar uma espécie de biela. Esse movimento de sobe e desce atua diretamente sobre o pistão, fazendo com que a haste equipada com gaxetas realize a sucção da tinta e, em seguida, sua compressão, permitindo que o material seja conduzido sob alta pressão até a mangueira e a pistola.
Uma forma bastante didática de compreender esse funcionamento é por meio da vista explodida de um equipamento como a Graco 695, onde é possível visualizar claramente cada componente do conjunto mecânico e seu papel no processo de pressurização.

Os equipamentos elétricos de eixo excêntrico representam atualmente os modelos mais difundidos no mercado mundial. Para fins de análise técnica, neste artigo iremos dividi-los em três categorias principais.
A primeira categoria compreende os equipamentos de pequeno porte, geralmente de baixo custo, indicados para serviços leves e pontuais. A segunda engloba equipamentos de médio porte, com capacidade para aplicação tanto de tintas quanto de massa corrida, atendendo a uma gama mais ampla de serviços profissionais.
Por fim, a terceira categoria é formada pelos equipamentos de alto desempenho, desenvolvidos para grandes projetos, capazes de operar com mais de uma pistola simultaneamente em um único equipamento, garantindo elevada produtividade e constância de aplicação.
Equipamentos de Airless de Pequeno Porte
Uso: Esse tipo de equipamento é destinado a pintores residenciais e comerciais, são equipamentos portáteis e de fácil manuseio, mas são pouco resistentes se exigidos em trabalhos constantes por longas horas.
Prós: São recomendadas para pequenas e rápidas aplicações, pois são fáceis de manusear, fáceis de limpar e com manutenção muito barata.
Contras: Não é recomendada para pintura de telhados, por serem equipamentos com camisa e pistão pequenos, não comportam mangueiras maiores que 10 à 15 metros, obrigando o pintor a colocá-la sobre o telhado, tornando o trabalho lento e aumentando significativamente o risco de acidentes de trabalho
Também não é indicada para produtos de alta viscosidade como as membranas acrílicas (borracha líquida), pois esse tipo de equipamento não tem potência suficiente para puxar o produto e mandá-lo para a pistola.
Tintas à base de solvente também devem ser evitadas.
Indicação: para pintura de portões, com esmalte sintético, fachadas e paredes com tintas acrílicas e látex à base d’água.
Vazão: 1,8 à 2,2 l/minuto.
Potência: Entre 0.6 CV e 1,2 CV.
Faixa de Preço: No Brasil, os equipamentos de airless de entrada (equipamentos leves importados com marcas como Vonder) normalmente custam entre cerca de R$ 1.500 e R$ 3.000, enquanto os modelos consagrados de marcas líderes como Graco ou Titan, mesmo em versões portáteis/profissionais leves, podem variar de aproximadamente R$ 4.000 até mais de R$ 10.000, dependendo de modelo e acessórios.
Principais marcas do mercado: Graco, Titan, Wagner, Vonder, Nauber, Lynus e Stone Hammer.
Em resumo, são equipamentos de entrada para quem está começando no mundo da pintura mecanizada, sendo um investimento interessante para pintores residenciais, agilizando o trabalho e aumentando o faturamento mensal dada a produtividade.
Equipamentos de Airless de Médio Porte
Uso: Esse já é o tipo de equipamento indicado para quem possui trabalhos constantes e precisa de mais robustez e confiabilidade.
Quando iniciamos a Albedo do Brasil em 2012, o equipamento escolhido foi uma Graco 695, equipamento 220 V, com vazão de 3,6 litros/minuto e trabalhando com 60 metros de mangueira de 1/4”, utilizada principalmente na pintura de telhados industriais.
É um equipamento que permanece em operação até hoje e continua funcionando perfeitamente, o que demonstra sua durabilidade quando utilizado dentro das especificações corretas.
As airless de médio porte permitem a aplicação de massa corrida, porém essa não é sua aplicação ideal, podendo causar desgaste prematuro de camisa, pistão e gaxetas. Por outro lado, trabalham muito bem com tintas industriais de médio sólido, sendo amplamente utilizadas na aplicação de primer epóxi e acabamento poliuretano (PU).
Em nossa operação, esse tipo de equipamento é utilizado com facilidade em pequenas aplicações de pintura industrial, incluindo pintura de pisos.
O mercado oferece uma ampla variedade de modelos nessa categoria, desde equipamentos de fabricantes consolidados como Graco e Titan, até equipamentos de origem chinesa, com diferentes níveis de qualidade e desempenho.
Prós: Permitem trabalho contínuo ao longo de toda a jornada, com boa estabilidade de pressão e vazão. Em tintas à base d’água, é possível trabalhar com até 60 metros de mangueira de 1/4”, sem perda significativa de desempenho.
São equipamentos versáteis, atendendo desde pintura residencial e predial, aplicação de tinta térmica em telhados, pintura de pisos epóxi e pequenas demandas de pintura industrial.
Contras: Apesar de robustos, apresentam custos de manutenção mais elevados, especialmente quando o operador não domina bem o equipamento ou utiliza produtos fora das especificações recomendadas.
Limpeza inadequada, uso de tintas incompatíveis e operação acima dos limites podem gerar desgaste acelerado dos componentes internos.
Além disso, não são indicados para todos os tipos de revestimentos de alta viscosidade, o que acaba limitando o leque de aplicações em comparação com equipamentos de maior porte.
Indicação: Indicados para pintura residencial, predial e comercial, pintura industrial leve, pintura de telhados com tinta térmica, aplicação de primer epóxi, acabamentos poliuretano e pintura de pisos de pequeno e médio porte, desde que respeitadas as especificações de cada produto.
Vazão: Geralmente entre 2,8 e 4,0 litros/minuto, variando conforme o modelo, pressão de trabalho e tipo de material aplicado.
Potência: Normalmente entre 1,5 CV e 2,5 CV, com motores elétricos mais robustos e maior capacidade de trabalho contínuo.
Faixa de preço: No mercado brasileiro, os equipamentos airless elétricos de médio porte apresentam uma variação de preço relativamente ampla, dependendo da marca, origem, capacidade de vazão e, principalmente, da qualidade construtiva do conjunto mecânico.
De forma geral, é possível encontrar equipamentos dessa categoria com valores a partir de aproximadamente R$ 10.000 em modelos de origem chinesa rebatizados por importadores nacionais, podendo chegar à faixa de R$ 25.000 a R$ 40.000 em equipamentos de marcas consolidadas, como Graco e Titan, já considerando assistência técnica, disponibilidade de peças e maior durabilidade.
É importante destacar que, nessa faixa de equipamentos, o preço não deve ser analisado isoladamente. Fatores como constância de pressão, capacidade real de aplicação de massa corrida, vida útil das gaxetas e facilidade de manutenção impactam diretamente o custo operacional ao longo do tempo.
Principais marcas do mercado: Graco, Titan, Stone Hammer e Fortemac.
Equipamentos de Airless de Grande Porte
Uso: Os equipamentos de airless elétricos de grande porte, com acionamento por eixo excêntrico, são indicados para operações de alta demanda, produção contínua e grandes áreas, onde equipamentos de médio porte já não entregam vazão, estabilidade e ritmo de aplicação suficientes.
Esse tipo de máquina é comum em obras industriais de grande escala, pintura de galpões, estruturas metálicas, fachadas extensas, aplicação pesada de revestimentos e serviços onde o tempo de execução é fator crítico.
Em nossa experiência, equipamentos desse porte, nos moldes da antiga Graco Mark X, trabalham com vazões elevadas, acima de 6 litros/minuto, permitindo o uso de mangueiras longas, pistolas de maior vazão e até operação com mais de um aplicador, dependendo do material.
Infelizmente a Mark X não foi adaptada para o mercado nacional sendo que qualquer oscilação no fornecimento de energia, poderia causar danos ao sistema eletrônico de controle.
Sabemos que em grandes obras de empreita, como por exemplo torres de condomínios, é comum durante a obra, muitos equipamento elétricos pesados sendo ligados ao mesmo tempo como furadeiras, betoneiras, marteletes, dentre outros.
Essa oscilação causava estragos onerosos na Mark X, e seus usuários partiram para equipamentos à combustão, que não estão sujeitos a esse tipo de problema.
Esses equipamentos de airless são pensados para trabalho diário intenso, mantendo pressão e vazão estáveis mesmo em aplicações prolongadas.
As airless elétricas de grande porte conseguem aplicar massas, acabamentos e revestimentos de alta viscosidade com muito mais segurança mecânica do que equipamentos menores, reduzindo esforço do conjunto bomba e evitando paradas frequentes.
Também são amplamente utilizadas na aplicação de tintas industriais de médio e alto sólido, primers epóxi de alta espessura, acabamentos poliuretano e sistemas mais pesados de proteção anticorrosiva.
No mercado brasileiro, além de fabricantes tradicionais, existem diversas máquinas importadas sob marcas nacionais, prática comum nesse segmento.
Apesar das diferenças de acabamento e eletrônica, muitas compartilham o mesmo princípio mecânico de eixo excêntrico, entregando desempenho semelhante quando corretamente especificadas.
Prós: Permitem altíssima produtividade, com grande estabilidade de pressão e vazão ao longo de toda a jornada de trabalho. Trabalham com grandes comprimentos de mangueira, normalmente 60 metros ou mais, sem perda significativa de desempenho, e suportam materiais mais densos com menor esforço mecânico.
São ideais para reduzir tempo de obra, número de demãos e custo operacional em grandes áreas.
Contras: São equipamentos com custo de aquisição e manutenção mais elevados, exigindo operadores experientes e rigor nos procedimentos de limpeza e manutenção preventiva.
O uso de materiais fora da especificação, falhas na limpeza ou alimentação elétrica inadequada podem gerar problemas sérios, especialmente em modelos com maior nível de eletrônica embarcada.
Além disso, são máquinas maiores, mais pesadas e menos portáteis, o que limita seu uso em serviços pequenos ou pontuais.
Indicação:Indicados para pintura industrial pesada, grandes áreas de telhados e fachadas, pintura de galpões, estruturas metálicas, aplicação de massas, revestimentos de alta viscosidade, primers epóxi de alta espessura, acabamentos poliuretano e sistemas de proteção anticorrosiva em obras de grande porte.
Vazão: Normalmente acima de 6,0 litros/minuto, podendo chegar a 8,0 litros/minuto ou mais, dependendo do modelo, do material aplicado e da configuração de trabalho.
Potência: Geralmente entre 3,0 CV e 6,0 CV, com motores elétricos robustos, projetados para trabalho contínuo e aplicações de alta exigência.
Faixa de preço: Os equipamentos airless elétricos de eixo excêntrico de grande porte, voltados para aplicação profissional intensa, têm preços que normalmente variam de cerca de R$ 20.000 à R$ 60.000 ou mais no Brasil, dependendo da marca, nível tecnológico, assistência técnica e acessórios incluídos.
Modelos topo de linha e com alta capacidade de vazão e produção tendem a ficar na faixa superior dessa estimativa.
Principais marcas do mercado: Graco, Titan, Expert e Stone Hammer.
Quando corretamente especificados, operados por profissionais experientes e mantidos de forma adequada, entregam excelente desempenho, longa vida útil e alto retorno sobre o investimento em obras industriais e comerciais de grande porte.
Equipamentos de Airless de Eixo Excêntrico à Combustão
Os equipamentos de airless de eixo excêntrico à combustão são máquinas extremamente robustas, indicadas para grandes obras, com alta potência e elevado torque. Permitem o uso de várias pistolas simultaneamente e a aplicação de materiais que vão desde massa corrida até tintas industriais. Em nossa operação, esse tipo de equipamento é utilizado em praticamente todas as atividades de grande porte.
Esse equipamento é acionado por um motor à combustão, normalmente a gasolina, e possui um sistema de embreagem que acopla o movimento do motor e faz o acionamento do pistão por meio de um eixo excêntrico e cremalheira. Esse conjunto garante força mecânica, vazão elevada e estabilidade operacional, mesmo em aplicações contínuas e prolongadas.
Para quem necessita de rapidez, alta produtividade e segurança no cumprimento de prazos, esse é o equipamento ideal. Muitos modelos trabalham com vazões em torno de 8,3 litros/minuto, permitindo a aplicação de uma ampla variedade de tintas e revestimentos, com elevado rendimento diário.
Uso: Aplicação de pintura de pisos, tanto epóxi quanto poliuretano, além de pinturas prediais de grande escala, onde uma única máquina pode operar com até 4 pistolas concomitantes, sendo extremamente eficiente em pinturas de apartamentos, conjuntos habitacionais e casas populares.
Permite a aplicação de massa corrida, selador, fundo preparador, tintas látex e acrílicas. Também é amplamente utilizada na aplicação de tinta térmica em telhados industriais, proporcionando alta produtividade diária com um número reduzido de colaboradores.
Na pintura industrial, pode ser empregada na maioria dos revestimentos, com exceção de tintas 100% sólidas, como o epóxi Novolac. Para pinturas de estruturas metálicas, reservatórios, fachadas industriais e grandes superfícies, esse equipamento se destaca pelo alto volume de aplicação e pela possibilidade de trabalhar com múltiplas pistolas simultaneamente.
Prós: Equipamento portátil e autônomo, não dependendo da energia elétrica do cliente. Permite o uso de grandes comprimentos de mangueira e a operação com várias pistolas ao mesmo tempo.
Extremamente robusto, apresenta baixa incidência de falhas quando operado corretamente, exigindo basicamente atenção à limpeza diária ao final da atividade e à manutenção preventiva do motor.
Contras: Diferentemente dos equipamentos elétricos, onde se utiliza a energia elétrica do cliente, o custo do combustível recai sobre a empresa executora, assim como as despesas com troca de óleo e manutenção do motor à combustão.
Outro ponto negativo são as restrições de segurança impostas por algumas empresas quanto à entrada e operação de equipamentos a combustão. Muitas indústrias, especialmente multinacionais, possuem políticas rigorosas para o uso de líquidos inflamáveis e equipamentos movidos a gasolina dentro de suas plantas.
Vazão: Geralmente entre 6,0 e 8,3 litros/minuto, podendo variar conforme o modelo, o estado do equipamento, o tipo de material aplicado e a pressão de trabalho.
Potência: Normalmente equipados com motores entre 5,5 CV e 6,5 CV, com alto torque, projetados para trabalho contínuo e aplicações pesadas em grandes áreas.
Principais marcas do mercado: Graco, Titan, Stone Hammer e Fortemac.
Quando corretamente especificados, operados por equipes treinadas e mantidos de forma adequada, oferecem alto rendimento, robustez mecânica e excelente retorno sobre o investimento, sendo hoje uma das principais escolhas para pintura predial
Equipamentos de Airless Hidráulicos
Os equipamentos de airless hidráulicos são muito comuns nos Estados Unidos, mas ainda possuem uso mais discreto no Brasil. Eles se destacam pela robustez e pela simplicidade do sistema, pois normalmente não utilizam controles eletrônicos computadorizados de fluxo, o que os torna menos suscetíveis a oscilações de energia elétrica.
Por sua concepção simples e extremamente confiável, podem ser configurados tanto com motor elétrico quanto com motor à combustão, que acionam uma bomba hidráulica. Essa bomba pressuriza o óleo hidráulico, responsável por movimentar o pistão da bomba de material em ciclos duplos, contínuos e suaves, garantindo vazão constante e menor esforço mecânico.
Em operações de alta demanda, como pinturas industriais pesadas, galpões de grande porte e aplicação de revestimentos de alta viscosidade, esses equipamentos entregam vazão estável e longa durabilidade. Na nossa experiência, são ideais para cenários onde a confiabilidade mecânica é mais importante do que a portabilidade extrema, permitindo o uso de mangueiras longas e múltiplas pistolas sem perda significativa de pressão.
Nossa empresa optou pela importação de uma airless hidráulica Graco com motor elétrico, justamente para evitar as restrições e exigências operacionais associadas a equipamentos à combustão dentro das plantas industriais que atendemos.
Prós: A movimentação hidráulica do pistão proporciona uma operação mais silenciosa e com menor desgaste de gaxetas, hastes e camisa, graças ao fluxo contínuo e suave do óleo hidráulico. Isso resulta em maior vida útil dos componentes em aplicações contínuas e pesadas. Trabalham com pressões superiores a 200 bar, mantendo excelente estabilidade e suportando materiais densos como epóxi de alta espessura, poliuretano e membranas acrílicas sem esforço excessivo. Além disso, apresentam baixa complexidade elétrica e podem ser acoplados a motores elétricos ou à combustão, tornando-se soluções versáteis para obras remotas.
Contras: O custo inicial é mais elevado em função da complexidade do sistema hidráulico. Exigem monitoramento constante do nível e da qualidade do óleo hidráulico para evitar falhas causadas por superaquecimento ou contaminação. São equipamentos mais pesados e menos portáteis quando comparados às airless elétricas ou mecânicas à combustão, o que limita seu uso em serviços residenciais ou aplicações rápidas. Além disso, a manutenção requer conhecimento específico do circuito hidráulico, e a disponibilidade de peças no Brasil ainda é mais restrita quando comparada aos modelos mecânicos da Graco ou Titan.
Indicação: Indicados para pinturas industriais de grande porte, proteção anticorrosiva em estruturas metálicas, aplicação de pisos epóxi ou poliuretano em áreas extensas, telhados industriais com tinta térmica e revestimentos de alta viscosidade em galpões e fábricas. São recomendados quando se prioriza durabilidade, fluxo constante e operação contínua, especialmente em regiões com fornecimento de energia elétrica instável.
Vazão: Geralmente entre 5,0 e 12,0 litros/minuto ou mais, variando conforme o modelo, motor acoplado e configuração hidráulica, com excelente desempenho em múltiplas pistolas e mangueiras de 60 metros ou superiores.
Potência: Equipamentos com sistemas hidráulicos entre 4,0 CV e 10,0 CV ou mais, acionados por motores elétricos trifásicos ou motores à combustão, projetados para demandas extremas e operação ininterrupta.
Faixa de preço: No mercado brasileiro, os equipamentos de airless hidráulicos de grande porte apresentam preços mais elevados em função da robustez e da complexidade do sistema. De forma geral, os valores costumam variar a partir de aproximadamente R$ 40.000, podendo chegar à faixa de R$ 90.000 ou mais em equipamentos de marcas consolidadas, dependendo da configuração, motor acoplado, capacidade de vazão, acessórios e suporte técnico disponível.
Principais marcas do mercado: Graco, Titan, Expert, DP Máquinas e Stone Hammer.
Equipamentos de Airless de Diafragma
Os equipamentos de airless de diafragma utilizam um sistema de bombeamento baseado em uma membrana flexível (diafragma), que se movimenta para pressurizar o material e enviá-lo à pistola. Diferentemente dos sistemas de pistão, não há contato direto entre hastes metálicas e o produto aplicado.
Essa tecnologia é relativamente comum em alguns mercados internacionais, especialmente em aplicações específicas, porém ainda possui baixa popularidade no Brasil. No mercado nacional, o airless de diafragma é visto como uma solução de nicho, sendo pouco utilizado em obras de médio e grande porte.
Por sua característica construtiva, esses equipamentos são mais indicados para materiais de baixa a média viscosidade e para produtos com maior agressividade química, onde a redução do atrito mecânico interno é um diferencial importante.
Prós: O sistema de diafragma reduz significativamente o desgaste de componentes internos, já que não há pistão trabalhando diretamente em contato com o material. Apresenta boa resistência a produtos químicos, solventes e tintas mais agressivas. Possui construção mecânica relativamente simples, com manutenção menos frequente em comparação a sistemas de pistão convencionais, além de custo inicial mais acessível quando comparado a equipamentos hidráulicos.
Contras: A vazão e a pressão são limitadas, o que reduz a produtividade em aplicações maiores. O fluxo tende a ser mais pulsante, o que pode comprometer acabamentos mais exigentes. Não são indicados para materiais de alta viscosidade, como epóxis espessos ou revestimentos industriais pesados. No Brasil, há baixa disponibilidade de peças, modelos e assistência técnica, o que restringe sua adoção profissional.
Indicação: Indicados para serviços de manutenção predial, pequenas pinturas, aplicação de vernizes, esmaltes, seladores e produtos de baixa viscosidade. Também podem ser utilizados em aplicações químicas leves, onde a resistência do sistema é mais importante do que a produtividade. No mercado brasileiro, são mais comuns em usos pontuais do que em operações contínuas.
Vazão: Normalmente entre 1,5 e 4,0 litros/minuto, dependendo do modelo e da configuração do diafragma, sendo adequados para uso com uma única pistola e mangueiras de comprimento moderado.
Potência: Equipamentos geralmente equipados com motores elétricos entre 0,5 CV e 2,0 CV, suficientes para aplicações leves, porém limitados para demandas contínuas ou de grande escala.
Faixa de preço: Por se tratar de uma tecnologia pouco difundida no Brasil, os valores variam bastante conforme marca e importação. De forma geral, os preços ficam entre R$ 6.000 e R$ 15.000 para modelos básicos e intermediários, podendo chegar a R$ 20.000 ou mais em equipamentos profissionais importados.
Principais marcas do mercado: Graco, Stone Hammer, Nauber e Menegotti.
Equipamentos de Airless Pneumáticos
Os equipamentos de airless pneumáticos utilizam ar comprimido como fonte de energia para acionar a bomba de material, normalmente por meio de um sistema de amplificação de pressão. Modelos como a Hasco 73:1 e a Graco Xtreme NXT 70:1 são referências nesse segmento, especialmente em aplicações industriais de alta exigência.
Esses equipamentos trabalham com pressões extremamente elevadas, podendo atingir até 7.000 psi, o que permite a pulverização de revestimentos altamente viscosos, como epóxis do tipo N 2912 Epóxi Novolac. Por se tratar de um revestimento 100% sólidos, esse tipo de material exige simultaneamente alta pressão e alta vazão, algo que não é possível obter em airless elétricas, mecânicas ou hidráulicas convencionais.
Diferentemente das airless elétricas ou à combustão, os equipamentos pneumáticos não possuem motor próprio. Todo o funcionamento depende de um sistema de ar comprimido industrial, composto por compressores de alta vazão, secador de ar, filtros, reguladores de pressão e linhas dimensionadas corretamente para evitar perda de carga.
O princípio de funcionamento é relativamente simples: o ar comprimido entra em uma válvula direcional pneumática, que alterna automaticamente o envio de ar para a parte superior e inferior do pistão pneumático. Esse movimento faz com que o pistão suba e desça continuamente, acionando mecanicamente o pistão da bomba de material. A cada ciclo, o material é aspirado e posteriormente comprimido, gerando um fluxo contínuo e extremamente estável.
A chamada taxa de compressão (por exemplo, 70:1 ou 73:1) indica quantas vezes a pressão do ar é multiplicada para gerar pressão no material. Em termos práticos, isso significa que, com cerca de 100 psi de ar comprimido, uma bomba 70:1 é capaz de gerar até 7.000 psi na linha de pintura. Essa característica explica por que essas airless conseguem pulverizar materiais que simplesmente não fluem em outros sistemas.
No Brasil, as airless pneumáticas são utilizadas quase exclusivamente em ambientes industriais, como fábricas, estaleiros, siderúrgicas e plantas químicas. Seu uso é pouco comum em obras civis ou serviços prediais, principalmente devido à necessidade de uma infraestrutura robusta de ar comprimido, algo inexistente na maioria dos canteiros convencionais.
Prós: Entregam pressão extremamente estável e controle preciso da aplicação, sendo ideais para revestimentos de alta viscosidade. Trabalham com taxas de compressão elevadas (70:1, 73:1 ou superiores), permitindo a aplicação de epóxis de alto sólidos, poliuretanos industriais, revestimentos anticorrosivos e tintas intumescentes. Apresentam altíssima durabilidade, baixo risco de falhas mecânicas e excelente desempenho em operação contínua, inclusive em múltiplas pistolas.
Contras: Dependem totalmente de um sistema de ar comprimido potente e estável, o que eleva significativamente o custo da infraestrutura. São equipamentos pesados e pouco portáteis, geralmente fixos ou montados em carrinhos industriais. O investimento inicial é elevado e a manutenção exige conhecimento técnico específico, além de assistência especializada, ainda pouco difundida no mercado brasileiro.
Indicação: Fortemente indicados para pintura industrial pesada, aplicação de revestimentos anticorrosivos em estruturas metálicas, tanques, tubulações, plataformas, estaleiros e ambientes com atmosferas explosivas, onde a ausência de componentes elétricos é um diferencial importante de segurança. São ideais para uso contínuo e linhas de produção com múltiplas pistolas.
Vazão: Variável conforme o conjunto bomba/compressor. De forma geral, operam entre 10,0 e 12,0 litros/minuto. Equipamentos como a Hasco 73:1 podem ultrapassar 26 litros/minuto, mantendo pressão constante mesmo com mangueiras longas e mais de uma pistola em operação simultânea.
Potência: Não possuem potência própria. O desempenho está diretamente relacionado ao compressor de ar utilizado, normalmente exigindo sistemas industriais acima de 20 a 40 HP, dependendo da vazão, da taxa de compressão e do número de pistolas conectadas.
Faixa de preço: No mercado brasileiro, as airless pneumáticas profissionais possuem valores elevados. Modelos como a Hasco 73:1 e a Graco Xtreme NXT 70:1 costumam variar entre R$ 60.000 e R$ 120.000, podendo ultrapassar esse valor conforme configuração, acessórios, importação e sistema de filtragem e controle de ar.
Principais marcas do mercado: Graco, Titan, Hasco, Super Spray, DP Máquinas e Stone Hammer.
Conclusão
Palavras-chave
- Equipamentos de airless
- Pintura airless profissional
- Airless elétrico
- Airless hidráulico
- Airless pneumático
- Airless à combustão
- Pintura industrial airless
- Revestimentos de alta viscosidade
- Epóxi 100% sólidos (Novolac)
- Aplicação com múltiplas pistolas























